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Socorro, sou mãe de um GR

Sou mãe de um guarda redes. Em fase de formação. Aqui pretendo ir escrevendo sobre tudo relacionado com a formação dele e a posição que abraçou.

Sou mãe de um guarda redes. Em fase de formação. Aqui pretendo ir escrevendo sobre tudo relacionado com a formação dele e a posição que abraçou.

Socorro, sou mãe de um GR

23
Fev18

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A mãe do GR


Partilho convosco o texto que escrevi para o Futebol de Formação que podem ler aqui sobre o percurso do DP1 desde que foi, e digo isto de forma carinhosa, "empurrado" para a baliza até ao dia que me disse "mãe eu gosto de ser guarda-redes".
Sinto que ser guarda-redes foi um gosto que ele deixou que crescesse e se desenvolvesse dentro dele. Chego a pensar que foi um gosto que se desenvolveu como se desenvolve dentro de nós o amor por algo ou alguém.
Agora só espero que disfrute deste gosto com a mesma motivação com que hoje a vives.
19
Fev18

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A mãe do GR

Comportamentos que muito deixam a desejar


Sempre que se fala de futebol de formação ou futebol juvenil, são constantes as alusões a comportamentos menos próprios, maioritariamente vindos dos pais.

São destes que, muitas vezes, partem comportamentos ou atitudes que muito deixam a desejar. Os largos casos que vêm a público são muitas vezes protagonizados por pais cuja presença em jogo é muitas vezes de tudo menos de apoio.

No entanto, ao longo destes anos que acompanho o meu filho no futebol de competição muitas vezes deparo-me com atitudes menos próprias vindas de arbitrários e de treinadores ou adjuntos.

O último jogo teve como protagonistas árbitros e um elemento do banco da equipa adversária.

Estava a ser um jogo bem disputado. A equipa da casa começou a ganhar cedo. Surgiu o empate e minutos depois um golo que colocou a equipa visitante na frente do resultado. Uma primeira parte sem incidentes. Um jogo bem disputado.

Já a segunda parte, foi tudo menos tranquila.
Entendo que a equipa da casa tivesse a ambição de no seu campo conseguir a vitória e os 3 pontos. Mas deve saber-se que, no futebol querer nem sempre é poder.
E eis que de um lance entre atletas, em que um deles dá uma cotovelada na boca do outro tudo muda em campo.
A exibição da equipa de arbitragem, até ali sem nada a dizer, tem o seu ponto de viragem quando na sequência desse lance o jogador da casa diz que foi mordido pelo adversário.
À equipa de arbitragem pede-se que seja comedida nos comentários e expressiva na acção disciplinar (se for caso disso) e formadora dos jovens atletas.
A partir do momento que um árbitro diz para o outro, em pleno terreno de jogo, que há um "Suarez 2" em campo, ao ponto de afectar um jovem atleta com tal descrição, a vertente formadora e pedagógica perde-se.
Quando um atleta entende que com aquela actuação o juiz do jogo o está a apelidar de cão, a vertente pedagógica esfuma-se.
Não se pede que o arbitro seja fofinho, ou que tolere faltas de respeito para com os demais intervenientes do jogo. Pede-se que seja assertivo, educador se for preciso, que seja visto como aquele que toma as decisões do jogo e que deve ser respeitado. Não se pede perfeição quando ajuíza lances mas pede-se honestidade intelectual na decisão dos mesmos e na forma como trata os jovens atletas em campo. Pede-se que seja disciplinador se assim tiver de ser, mas não se tolera que seja o primeiro a desrespeitar quando exige respeito para si.

Escusado será dizer que em campo o jogo tornou-se intenso e demasiado duro. De certa forma, mais disputado. Mas um jogo disputado nem sempre o é da melhor maneira e muitas vezes caí-se na intolerância e até no desrespeito.
E querer vencer não pode jamais toldar o espírito de quem está no banco. Perder nem sempre, jamais até, significa desrespeitar o adversário, ainda mais quando o adversário é uma equipa de jovens com 12/13 anos.
E desrespeitar o adversário é não lhe dar o mérito da vitória. Pior que isso é ofendê-lo.
Quando um massagista de uma equipa, após lance que dá o 4º golo à equipa visitante, se refere a estes chamando-os de "merdosos do car***o", em alto e bom som, ao pé dos seus jogadores e de pais da equipa adversária facilmente percebemos que há pessoas que ocupam cargos em equipas juvenis para os quais não têm a mínima apetência ou formação.
Quando se ouve essa mesma pessoa dizer aos seus jovens jogadores que só cumprimentam os seus pais, concluímos que algo vai muito mal na esfera dos pequenos clubes de futebol de formação.
Perder não significa que foste mau. Que não deste o teu melhor. Perder significa que apesar de todo  teu esforço houve alguém que se esforçou mais que tu, que fez acontecer, que lutou, que se superou, que foi mais eficaz. Perder jamais te deve toldar o bom senso e que te fazer esquecer o motivo pelo qual estás a trabalhar com jovens. O teu papel é formar atletas, mas acima de tudo formar homens com capacidade para enfrentar as coisas boas e as más da vida, para saberem lidar não só com as vitórias mas acima de tudo com as derrotas.

Não posso por isso deixar de enaltecer, sim enaltecer, o grande carisma desta equipa. Sim têm muito carisma. Têm muito carisma porque ficam felizes na vitória. Basta ver aquelas expressões, de sorriso muitas vezes rasgado, uma vaidade saudável que não dá para disfarçar porque chegaram ao final e conseguiram um bom resultado.
Mas ficam tristes na derrota. Muitos choram e vê-se a frustração naqueles rostos porque apesar do esforço e dedicação, outros foram mais eficazes. Mas nunca deixam de cumprimentar o adversário, ou os pais que em todos os jogos os esperam para dar "mais cinco" e uma palavra de conforto, e que não param quando acaba a fila de pais, de pais deles. Há sempre um "mais cinco" para quem ali estiver pronto a recebê-lo.
E no passado sábado foi assim. Houve "mais cinco" até onde houvessem pais que lhos quisessem dar. Já do outro lado, vi meninos que pareciam hesitantes, sem saber o que fazer no momento de ir cumprimentar os pais porque pareciam que tentavam perceber onde estavam os seus.

Alguns intervenientes no futebol infantil e de formação têm ainda um logo percurso para percorrer no que toca a formação e a pedagogia.


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