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Socorro, sou mãe de um GR

Sou mãe de um guarda redes. Em fase de formação. Aqui pretendo ir escrevendo sobre tudo relacionado com a formação dele e a posição que abraçou.

Sou mãe de um guarda redes. Em fase de formação. Aqui pretendo ir escrevendo sobre tudo relacionado com a formação dele e a posição que abraçou.

Socorro, sou mãe de um GR

20
Mar18

Pormenores

A mãe do GR

P1260012.JPG

 

"Um pormenor pode não significar nada, pode ser banal, mas também pode ser um marco decisivo numa vida singular."

Eu gosto de pormenores, tanto dos acessórios como dos fulcrais.

Gosto de esmiuçar o sentido das coisas, de as sentir.

Por vezes, perco-me no meio de tanto detalhe, torno-me subjectiva, redundante, mas é nos pormenores que encontro a beleza que liga tudo o que existe no universo.

Caso do post de hoje.

O pormenor da braçadeira.

Foi o primeiro jogo oficial com a braçadeira de capitão, no mesmo campo onde jogou o primeiro jogo oficial de competição.

Quando o vi entrar no campo com a braçadeira, automaticamente me lembrei daquele dia.Estava tão nervoso. No  balneário, o mister notou a respiração ofegante. Os olhos de temor. Até ali, nunca as luvas lhe terão "pesado" tanto como naquela manhã.

O campo que agora o "recebeu" tão mais descontraído e confiante.

 

Cada criança evolui ao seu ritmo, no seu tempo.

Não é preciso pressa.

Não são necessárias pressões.

Cada criança, enquanto atleta, tem o seu tempo para evoluir no desporto.

Tal como cada um começa a andar, a falar no seu tempo, também ao atleta tem de ser dado tempo para crescer e evoluir como tal.

Uns revelam os dotes para o desporto logo desde muito cedo. Outros precisam de tempo para desenvolver e amadurecer as capacidades que têm.

Cada criança é um individuo único que tem o seu tempo para crescer, evoluir e desenvolver as suas capacidades.

 

A fraqueza dele era o medo. O medo de errar.

Quando mostraram confiança nele, foi como pózinhos perlimpimpim* que lhe jogaram em cima.

 

perlimpimpim.png

 

 

 

 

16
Mar18

Dar tempo ao tempo

A mãe do GR

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Ás vezes achamos que perguntar faz de nós mais interessados.

Que motivar é nosso papel quando achamos que, as coisas não correm como entendemos que deviam correr.

Ensinou-me a experiência que ás vezes o melhor mesmo é não perguntar, não falar, não criticar (para o bem ou para o mal).

O melhor mesmo é dar tempo ao tempo.

Deixar que tudo se alinhe.

Que tudo chegue quando tem de chegar.

Nem sempre nós pais sabemos lidar com o filho atleta.

Eu confesso que não sabia lidar com o meu.

Mostrava-me interessada demais. Atenta demais. Motivadora demais.

Estaria a pressionar?

Cheguei à conclusão que sim, pese embora nunca o tivesse feito com a convicção de estar perante um futuro Casillas ou ambicionar tal coisa.

A minha ambição sempre foi a de que fizesse o que gostava. E achava que o faria melhor se o estivesse sempre a motivar, que no fundo mais não era do que pressionar.

Muitas vezes não ambicionamos uma carreira no futebol para eles. Queremos apenas que sejam bons e se esforcem naquilo que fazem, sem termos consciência que nem todos reagem de forma positiva ao nosso excessivo interesse no desempenho deles.

Ás vezes precisamos ouvir. Ouvir quem está de fora.

E parar para reflectir sobre a nossa forma de agir.

Nem sempre agimos com intenção de pressionar. Muitas vezes é por interesse em estar presente naquilo que fazem. Mas a mim a experiência mostrou-me que, no meu caso, a melhor forma de mostrar isso era simplesmente deixar de pergunar pelos treinos, e pelos lances, e pelos golos sofridos e ... esperar para ouvir falar sobre isso.

Deixar que fosse ele a falar porque como alguém me disse um dia "o simples facto de lhe perguntar se está nervoso com o jogo do fim de semana já pode funcionar como pressão para ele".

Nesse dia parei. Reflecti. Vi que poderia estar a fazer de forma errada. Reprogramei. Até ver ... resultou

 

 

08
Mar18

...

A mãe do GR

"A solidão de Iker Casillas"


Este é o título de um artigo de opinião que podem ler no MaisFutebol. 
O jornalista que o assina, Luís Pedro Ferreira, escreve algo que reflecte a posição do guarda-redes e com a qual concordo em absoluto, e passo a citar:

Nenhum homem é uma ilha, mas um guarda-redes está próximo de o ser.
É um tipo desamparado quando lhe aparece um adversário pela frente, num um para um. Um homem sem guarda-costas e que tem o chão como paraquedas.  

Quando a festa é feita pela própria equipa, ele está lá ao longe, na maioria das vezes. Distante da cerimónia, vestido numa cor diferente dos outros e tudo.

Confesso que já por diversas vezes, ao ver o meu filho minutos corridos sozinho na área pensei nisso. Na "solidão" do guarda-redes, ou o jogador solitário como eu chamo.
Até na celebração, é um solitário.
Por várias vezes captei o momento em fotos, mas acho que nenhuma delas capta a solidão do guarda-redes verdadeiramente.

 


Tantas vezes já o vi, ali, simplesmente a olhar o jogo.
Na verdade, e em bom rigor, devia dizer "a ter uma visão privilegiada do jogo" porque se alguém consegue ter uma boa percepção do jogo dentro de campo, esse alguém é o guarda-redes.






07
Mar18

...

A mãe do GR

O "nosso" campo pelado

Vêm aquela linda poça de água que se aglomera à entrada da baliza?
Sempre que chove com intensidade lá está ela no "nosso" pelado. Para o bem e para o mal ela ali está. Não dá para fugir dela. Não dá para evitar cair nela se houver que fazer uma defesa. Mas não há medos ou temores na queda. Vai-se com a mesma convicção e motivação como se ela ali não estivesse.


Com o avançar dos trabalhos no Centro de Estágio e Formação, mais dia menos dia este "nosso" campo pelado deixará de receber treinos e jogos. Com toda a certeza na próxima época.
E apesar de estarem todos rejubilados com novos campos sintéticos, sem lamas, sem pó, sem pedras acho que todos os que aqui jogaram, de alguma forma irão sentir algum saudosismo na hora de se despedirem deste "nosso" campo pelado.
Fomos muito felizes aqui. Também tivemos as nossas tristezas e desilusões. E todos esses momentos serão para recordar.
No dia que o "nosso" campo pelado sentir os últimos toques de pitons, a última celebração de golo, o último splash do guarda-redes será o fecho de um ciclo e o início de outro, que se espera feliz e próspero, de um clube que já foi grande, por estar na divisão principal do futebol, mas que com muito acreditar e convicção e muito amor à camisola aos poucos vai-se reerguendo, à sua medida, ao seu ritmo, à sua maneira.
Dentro de si próprio o Futebol Clube Alverca nunca deixou de ser grande.  
02
Mar18

...

A mãe do GR

Os guarda-redes no futebol de formação

 
 

Desde que o meu filho é guarda-redes percebi que a aposta na formação é diminuta ou inexistente em vários clubes e/ou escolas de futebol.
A mudança de jogador de campo para guarda redes surgiu pela falta de meninos para aquela posição.
Recuo uns anos atrás e na altura a baliza era ocupada à vez por um e por outro que ou era escolhido pelo mister ou muito timidamente lá dizia que queria e assim se ia colmatando aquela falta.
Recordo que isso não acontecia apenas na equipa do meu filho, mas em todas as outras.

Nós, pais e mães de guarda-redes, vemos que a maior parte das vezes os nossos filhos fazem o que que vêm, agem por instinto, sem técnica ou conhecimento.
Muitas vezes não sabem simplesmente formar uma barreira, ou assumir a posição correcta num canto ou num livre. Não sabem quando devem cair para agarrar uma bola baixa, não conseguem ter elevação para defender uma bola alta. Viram as costas ao jogo quando recuam para a baliza.
Ouvimos muitas vezes criticas, de fora e de dentro de campo, relativamente à exibição deles e pensamos quão injustos são.
A maior parte das vezes o treino do guarda-redes é inserido no treino normal, em que eles se limitam a ficar na baliza para evitar que as bolas entrem.
Depois vão para os jogos, ditos de competição e, claro, erram. Porque não sabem, mas porque também ninguém os ensina ou lhes explica como se faz.

E se eu pensava que isso era mais visível em escalões de benjamins, bem me enganei porque mesmo no escalão de iniciados vêm-se atletas nessa posição em que é notória a falta de treino especifico.
Mas quando falo de treino especifico, falo de treino dirigido por profissionais competentes, que sabem o que estão a fazer, que sabem o que é importante treinar em cada fase, que são exigentes e assertivos, e não de treinos onde se colocam os miúdos entre os postes a defender remates cujas bolas levam tal velocidade que o risco de entrar bola e guarda redes é uma constante.

O treino especifico de guarda redes foi algo a que dei mais importância, e a equacionar quando percebi que aquilo que se exigia era mais do que se ensinava. 
De que vale dizer a um miúdo guarda-redes que ele esteve mal num lance de golo, por estar demasiado avançado, se depois não se explica a posição em que devia estar no momento do remate? Se não se explica o que fez mal? Se não se explica como deveria ter procedido? Na minha opinião não vale de nada porque o atleta não vai perceber onde e como errou, e de que forma devia ter procedido para poder ter mais sucesso no lance.

A minha sincera opinião é que muitos atletas vão para guarda-redes ou porque acham giro ter umas luvas, ou porque os treinadores acham que não têm perfil para mais nenhuma posição. 
Depois, muitos acabam por desistir porque a qualidade e quantidade de treino especifico que têm é pouca ou nenhuma, falta-lhes quem os apoie e lhes explique que errar todos erram, que sofrer 10 ou 20 golos não aconteceu porque ele falhou, mas porque toda a equipa falhou, falta quem explique onde falhou e porque falhou
E falta-lhes muitas vezes o suporte psicológico e pedagógico para os ajudar a lidar com a frustração do erro ou da falha.

Posto isto, convém dizer que este ano, finalmente, essa falha está colmatada. Na minha opinião, muito bem colmatada. 

 * este texto não foi escrito ao abrigo do novo AO 

 





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