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Socorro, sou mãe de um GR

Sou mãe de um guarda redes. Em fase de formação. Aqui pretendo ir escrevendo sobre tudo relacionado com a formação dele e a posição que abraçou.

Sou mãe de um guarda redes. Em fase de formação. Aqui pretendo ir escrevendo sobre tudo relacionado com a formação dele e a posição que abraçou.

Socorro, sou mãe de um GR

15
Dez19

Encontrar o sentido do futebol de formação

A mãe do GR

A propósito de uma entrevista dada pelo professor catedrático e provedor da Ética no Desporto, além de autor e co-auror de mais de mais de 50 livros, e inúmeros artigos e ensaios, Manuel Sérgio à RR que podem ler aqui.

Um artigo que todos os que estão ligados ao desporto, nomeadamente ao futebol, deviam ler e reflectir.

O futebol é cada vez mais um mundo sem ética, onde os resultados imperam acima tudo e mais alguma coisa. Desengane-se quem pensa que isso só acontece a partir de determinados escalões. É geral. Mesmo em escalões de formação.

Poucos são os que têm a coragem de arriscar, de potenciar o valor de um atleta mais fraco. Prefere-se trabalhar com atletas que por si já são bons, porque nasceram com o dom ou evoluíram mais que os restantes. É mais fácil. O trabalho a fazer passa a ser maioritariamente táctico, porque a técnica está lá ou porque nasceu com ela ou porque evoluiu mais que a maioria.

Ensinar dá trabalho, o sucesso é mais lento, é preciso mais que saber de técnica ou tática.

Prova disso está aqui neste artigo quando Manuel Sérgio diz “O treinador devia ser um educador e muitas vezes não o sabe ser”.

Não sabe e muitas vezes não quer. Ser educador exige envolvimento com o atleta, exige que se passem ensinamentos para a vida, princípios, e a maioria entende que é mantendo o distanciamento que se fazem equipas coesas. Sem relação de proximidade, sem afectos. Esquecendo que o futebol é um desporto de emoções, envolve alegria, tristeza, frustrações, sucesso, dias bons, dias maus, logo de sentimentos. Esquecem também que muitos atletas não conseguem deixar fora de campo a frustração de algo que se passou no seu dia a dia. Impreterivelmente levam para o campo um problema de casa, da escola, frustrações, um problema da vida, da sua, de outros.

Apoiar um atleta nestas circunstâncias é negativo? Entendo que não. Afinal o futebol é feito por pessoas. Pessoas erram, sentem. O que é negativo é não tentar perceber, entender, ajudar. Negativo é ignorar e deixar de lado. É não apoiar o atleta numa fase menos boa e de menor rendimento. Mas entendo...nem todos temos capacidade ou paciência, ou queremos sequer, ser motivadores, conselheiros, amigo para dias maus, para fases menos boas. 

Qual o problema de ver no treinador um amigo? Qual o problema de ser um treinador preocupado com o seu atleta, de o apoiar, de falar com ele, de o ajudar, de ser amigo? Há problema quando se vê maldade ou intenções, quando se vê algo para além da condição humana . Quando não há maturidade para distinguir momentos e papéis...

Como refere o Prof. Manuel Sérgio "Há necessidade de o desporto se preparar para este mundo novo. O desporto, atualmente, designadamente o de alta competição, reproduz e multiplica as taras do sistema capitalista: a alta competição, o recorde, a medida, a performance…"

Perguntado sobre quais os valores que o desporto em geral passa prontamente respondeu " São os valores da sociedade capitalista. O capitalismo transforma tudo em mercadoria e o desporto é mais uma mercadoria, até os jogadores aparecem como mais uma mercadoria. Por isso tantos jogadores, quando deixam de jogar, sofrem bastante com isso.(...) Um dia li uma frase de um célebre neurologista, Viktor Frankl, que eu gosto de repetir: "Nós, médicos, passamos a vida a dizer aos doentes que façam exercício físico, que não comam açúcar, que evitem o sal, etc. Esquecemo-nos de lhes dizer que o primeiro fator de saúde é que a vida tenha sentido para nós”."

"A pessoa é empurrada, logo de garoto, para o reino do argentário, para o reino do quantitativo, quando a felicidade está noutro lado. Há muita gente cheia de dinheiro e que está sempre a dizer que não é feliz. A felicidade vem disto: quando encontramos o sentido da vida."

Não é bonito ver um atleta comemorar um golo com o treinador? Eu diria que é. É porque aquela pessoa esteve lá num momento de menos rendimento e lhe deu força para trabalhar e ser melhor. Que nunca duvidou das suas capacidades para fazer mais e melhor. É a forma mais bonita de agradecimento: partilhar um momento de felicidade em campo pelos momentos em que já estivemos menos bem e que nos sentimos apoiados. E não me digam que, enquanto treinadores isso não vos inflama o ego enquanto profissionais e homens (ou mulheres 🙂) 

Citando o Prof. Manuel Sérgio "todos sabem praticamente o mesmo. O que distingue, depois, é o homem. Também costumo dizer: é o homem que se é, que triunfa no treinador que se pode ser. A diferença está aí, não está na tática."

 

 

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