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Socorro, sou mãe de um GR

Sou mãe de um guarda redes. Em fase de formação. Aqui pretendo ir escrevendo sobre tudo relacionado com a formação dele e a posição que abraçou.

Sou mãe de um guarda redes. Em fase de formação. Aqui pretendo ir escrevendo sobre tudo relacionado com a formação dele e a posição que abraçou.

Socorro, sou mãe de um GR

08
Mar18

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A mãe do GR

"A solidão de Iker Casillas"


Este é o título de um artigo de opinião que podem ler no MaisFutebol. 
O jornalista que o assina, Luís Pedro Ferreira, escreve algo que reflecte a posição do guarda-redes e com a qual concordo em absoluto, e passo a citar:

Nenhum homem é uma ilha, mas um guarda-redes está próximo de o ser.
É um tipo desamparado quando lhe aparece um adversário pela frente, num um para um. Um homem sem guarda-costas e que tem o chão como paraquedas.  

Quando a festa é feita pela própria equipa, ele está lá ao longe, na maioria das vezes. Distante da cerimónia, vestido numa cor diferente dos outros e tudo.

Confesso que já por diversas vezes, ao ver o meu filho minutos corridos sozinho na área pensei nisso. Na "solidão" do guarda-redes, ou o jogador solitário como eu chamo.
Até na celebração, é um solitário.
Por várias vezes captei o momento em fotos, mas acho que nenhuma delas capta a solidão do guarda-redes verdadeiramente.

 


Tantas vezes já o vi, ali, simplesmente a olhar o jogo.
Na verdade, e em bom rigor, devia dizer "a ter uma visão privilegiada do jogo" porque se alguém consegue ter uma boa percepção do jogo dentro de campo, esse alguém é o guarda-redes.






07
Mar18

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A mãe do GR

O "nosso" campo pelado

Vêm aquela linda poça de água que se aglomera à entrada da baliza?
Sempre que chove com intensidade lá está ela no "nosso" pelado. Para o bem e para o mal ela ali está. Não dá para fugir dela. Não dá para evitar cair nela se houver que fazer uma defesa. Mas não há medos ou temores na queda. Vai-se com a mesma convicção e motivação como se ela ali não estivesse.


Com o avançar dos trabalhos no Centro de Estágio e Formação, mais dia menos dia este "nosso" campo pelado deixará de receber treinos e jogos. Com toda a certeza na próxima época.
E apesar de estarem todos rejubilados com novos campos sintéticos, sem lamas, sem pó, sem pedras acho que todos os que aqui jogaram, de alguma forma irão sentir algum saudosismo na hora de se despedirem deste "nosso" campo pelado.
Fomos muito felizes aqui. Também tivemos as nossas tristezas e desilusões. E todos esses momentos serão para recordar.
No dia que o "nosso" campo pelado sentir os últimos toques de pitons, a última celebração de golo, o último splash do guarda-redes será o fecho de um ciclo e o início de outro, que se espera feliz e próspero, de um clube que já foi grande, por estar na divisão principal do futebol, mas que com muito acreditar e convicção e muito amor à camisola aos poucos vai-se reerguendo, à sua medida, ao seu ritmo, à sua maneira.
Dentro de si próprio o Futebol Clube Alverca nunca deixou de ser grande.  
02
Mar18

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A mãe do GR

Os guarda-redes no futebol de formação

 
 

Desde que o meu filho é guarda-redes percebi que a aposta na formação é diminuta ou inexistente em vários clubes e/ou escolas de futebol.
A mudança de jogador de campo para guarda redes surgiu pela falta de meninos para aquela posição.
Recuo uns anos atrás e na altura a baliza era ocupada à vez por um e por outro que ou era escolhido pelo mister ou muito timidamente lá dizia que queria e assim se ia colmatando aquela falta.
Recordo que isso não acontecia apenas na equipa do meu filho, mas em todas as outras.

Nós, pais e mães de guarda-redes, vemos que a maior parte das vezes os nossos filhos fazem o que que vêm, agem por instinto, sem técnica ou conhecimento.
Muitas vezes não sabem simplesmente formar uma barreira, ou assumir a posição correcta num canto ou num livre. Não sabem quando devem cair para agarrar uma bola baixa, não conseguem ter elevação para defender uma bola alta. Viram as costas ao jogo quando recuam para a baliza.
Ouvimos muitas vezes criticas, de fora e de dentro de campo, relativamente à exibição deles e pensamos quão injustos são.
A maior parte das vezes o treino do guarda-redes é inserido no treino normal, em que eles se limitam a ficar na baliza para evitar que as bolas entrem.
Depois vão para os jogos, ditos de competição e, claro, erram. Porque não sabem, mas porque também ninguém os ensina ou lhes explica como se faz.

E se eu pensava que isso era mais visível em escalões de benjamins, bem me enganei porque mesmo no escalão de iniciados vêm-se atletas nessa posição em que é notória a falta de treino especifico.
Mas quando falo de treino especifico, falo de treino dirigido por profissionais competentes, que sabem o que estão a fazer, que sabem o que é importante treinar em cada fase, que são exigentes e assertivos, e não de treinos onde se colocam os miúdos entre os postes a defender remates cujas bolas levam tal velocidade que o risco de entrar bola e guarda redes é uma constante.

O treino especifico de guarda redes foi algo a que dei mais importância, e a equacionar quando percebi que aquilo que se exigia era mais do que se ensinava. 
De que vale dizer a um miúdo guarda-redes que ele esteve mal num lance de golo, por estar demasiado avançado, se depois não se explica a posição em que devia estar no momento do remate? Se não se explica o que fez mal? Se não se explica como deveria ter procedido? Na minha opinião não vale de nada porque o atleta não vai perceber onde e como errou, e de que forma devia ter procedido para poder ter mais sucesso no lance.

A minha sincera opinião é que muitos atletas vão para guarda-redes ou porque acham giro ter umas luvas, ou porque os treinadores acham que não têm perfil para mais nenhuma posição. 
Depois, muitos acabam por desistir porque a qualidade e quantidade de treino especifico que têm é pouca ou nenhuma, falta-lhes quem os apoie e lhes explique que errar todos erram, que sofrer 10 ou 20 golos não aconteceu porque ele falhou, mas porque toda a equipa falhou, falta quem explique onde falhou e porque falhou
E falta-lhes muitas vezes o suporte psicológico e pedagógico para os ajudar a lidar com a frustração do erro ou da falha.

Posto isto, convém dizer que este ano, finalmente, essa falha está colmatada. Na minha opinião, muito bem colmatada. 

 * este texto não foi escrito ao abrigo do novo AO 

 





23
Fev18

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A mãe do GR


Partilho convosco o texto que escrevi para o Futebol de Formação que podem ler aqui sobre o percurso do DP1 desde que foi, e digo isto de forma carinhosa, "empurrado" para a baliza até ao dia que me disse "mãe eu gosto de ser guarda-redes".
Sinto que ser guarda-redes foi um gosto que ele deixou que crescesse e se desenvolvesse dentro dele. Chego a pensar que foi um gosto que se desenvolveu como se desenvolve dentro de nós o amor por algo ou alguém.
Agora só espero que disfrute deste gosto com a mesma motivação com que hoje a vives.
19
Fev18

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A mãe do GR

Comportamentos que muito deixam a desejar


Sempre que se fala de futebol de formação ou futebol juvenil, são constantes as alusões a comportamentos menos próprios, maioritariamente vindos dos pais.

São destes que, muitas vezes, partem comportamentos ou atitudes que muito deixam a desejar. Os largos casos que vêm a público são muitas vezes protagonizados por pais cuja presença em jogo é muitas vezes de tudo menos de apoio.

No entanto, ao longo destes anos que acompanho o meu filho no futebol de competição muitas vezes deparo-me com atitudes menos próprias vindas de arbitrários e de treinadores ou adjuntos.

O último jogo teve como protagonistas árbitros e um elemento do banco da equipa adversária.

Estava a ser um jogo bem disputado. A equipa da casa começou a ganhar cedo. Surgiu o empate e minutos depois um golo que colocou a equipa visitante na frente do resultado. Uma primeira parte sem incidentes. Um jogo bem disputado.

Já a segunda parte, foi tudo menos tranquila.
Entendo que a equipa da casa tivesse a ambição de no seu campo conseguir a vitória e os 3 pontos. Mas deve saber-se que, no futebol querer nem sempre é poder.
E eis que de um lance entre atletas, em que um deles dá uma cotovelada na boca do outro tudo muda em campo.
A exibição da equipa de arbitragem, até ali sem nada a dizer, tem o seu ponto de viragem quando na sequência desse lance o jogador da casa diz que foi mordido pelo adversário.
À equipa de arbitragem pede-se que seja comedida nos comentários e expressiva na acção disciplinar (se for caso disso) e formadora dos jovens atletas.
A partir do momento que um árbitro diz para o outro, em pleno terreno de jogo, que há um "Suarez 2" em campo, ao ponto de afectar um jovem atleta com tal descrição, a vertente formadora e pedagógica perde-se.
Quando um atleta entende que com aquela actuação o juiz do jogo o está a apelidar de cão, a vertente pedagógica esfuma-se.
Não se pede que o arbitro seja fofinho, ou que tolere faltas de respeito para com os demais intervenientes do jogo. Pede-se que seja assertivo, educador se for preciso, que seja visto como aquele que toma as decisões do jogo e que deve ser respeitado. Não se pede perfeição quando ajuíza lances mas pede-se honestidade intelectual na decisão dos mesmos e na forma como trata os jovens atletas em campo. Pede-se que seja disciplinador se assim tiver de ser, mas não se tolera que seja o primeiro a desrespeitar quando exige respeito para si.

Escusado será dizer que em campo o jogo tornou-se intenso e demasiado duro. De certa forma, mais disputado. Mas um jogo disputado nem sempre o é da melhor maneira e muitas vezes caí-se na intolerância e até no desrespeito.
E querer vencer não pode jamais toldar o espírito de quem está no banco. Perder nem sempre, jamais até, significa desrespeitar o adversário, ainda mais quando o adversário é uma equipa de jovens com 12/13 anos.
E desrespeitar o adversário é não lhe dar o mérito da vitória. Pior que isso é ofendê-lo.
Quando um massagista de uma equipa, após lance que dá o 4º golo à equipa visitante, se refere a estes chamando-os de "merdosos do car***o", em alto e bom som, ao pé dos seus jogadores e de pais da equipa adversária facilmente percebemos que há pessoas que ocupam cargos em equipas juvenis para os quais não têm a mínima apetência ou formação.
Quando se ouve essa mesma pessoa dizer aos seus jovens jogadores que só cumprimentam os seus pais, concluímos que algo vai muito mal na esfera dos pequenos clubes de futebol de formação.
Perder não significa que foste mau. Que não deste o teu melhor. Perder significa que apesar de todo  teu esforço houve alguém que se esforçou mais que tu, que fez acontecer, que lutou, que se superou, que foi mais eficaz. Perder jamais te deve toldar o bom senso e que te fazer esquecer o motivo pelo qual estás a trabalhar com jovens. O teu papel é formar atletas, mas acima de tudo formar homens com capacidade para enfrentar as coisas boas e as más da vida, para saberem lidar não só com as vitórias mas acima de tudo com as derrotas.

Não posso por isso deixar de enaltecer, sim enaltecer, o grande carisma desta equipa. Sim têm muito carisma. Têm muito carisma porque ficam felizes na vitória. Basta ver aquelas expressões, de sorriso muitas vezes rasgado, uma vaidade saudável que não dá para disfarçar porque chegaram ao final e conseguiram um bom resultado.
Mas ficam tristes na derrota. Muitos choram e vê-se a frustração naqueles rostos porque apesar do esforço e dedicação, outros foram mais eficazes. Mas nunca deixam de cumprimentar o adversário, ou os pais que em todos os jogos os esperam para dar "mais cinco" e uma palavra de conforto, e que não param quando acaba a fila de pais, de pais deles. Há sempre um "mais cinco" para quem ali estiver pronto a recebê-lo.
E no passado sábado foi assim. Houve "mais cinco" até onde houvessem pais que lhos quisessem dar. Já do outro lado, vi meninos que pareciam hesitantes, sem saber o que fazer no momento de ir cumprimentar os pais porque pareciam que tentavam perceber onde estavam os seus.

Alguns intervenientes no futebol infantil e de formação têm ainda um logo percurso para percorrer no que toca a formação e a pedagogia.


14
Nov17

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A mãe do GR
Cargos (ou encargos)

Não é novidade que quando se fala em futebol de formação há todo um sem número de aspectos que devem ser relevantes na procura das pessoas que desempenham determinadas funções.
Nem todos os clubes ou escolas de futebol terão a mesma preocupação na escolha das pessoas que mais directamente contactam com os jovens.
O facto de um dirigente, treinador, coordenador ter boas recomendações técnicas nem sempre é suficiente para lidar com jovens em fase de formação.
Acima de tudo, é para mim essencial que essas pessoas, além de conhecimentos técnicos, tenham características de personalidade que as torna aptas para lidar com jovens.
A forma como se lida com uma pessoa de 8, 9, 10, 12 anos TEM de ser diferente da de uma 19, 20 ou 30 anos. E isso parece óbvio. Pelo menos para mim.
A forma como abordas uma criança/jovem e um adulto depois de um erro TEM necessariamente de ser diferente.
A criança/jovem está em fase de desenvolvimento emocional. A forma de reagir a um erro é diferente da de um adulto. A forma como reage posteriormente a esse erro deve ser acautelada e para isso é necessário que a abordagem seja feita de forma consciente e inteligente, tentando acima de tudo salvaguardar a integridade emocional da criança.
O guarda redes, atendendo à posição que ocupa, já de si exigente, precisa de uma grande capacidade psicológica para lidar com os erros que comete.
Na criança em formação esse apoio precisa ser evidente. É preciso fortalecer a auto-estima do jovem guarda-redes em formação para que aquele erro não se propague para além daquele jogo, ou daquele momento.
A meu ver qualquer outra forma de comunicação para com este que não seja fortalecimento da auto-estima é prejudicial para o jovem.
Além de que é demonstrativo que aquela pessoa não tem o perfil necessário para lidar com crianças que estão em fase de aprendizagem e maturação.
Se és responsável pela formação de um qualquer clube ou escola neste pais peço-te: incentiva o teu atleta. Motiva-o. Um atleta motivado é uma mais valia. Uma criança feliz vale mais que qualquer resultado desportivo. Num erro apoia o teu atleta. Não lhe lances piadas parvas. És adulto. Porta-te como tal.
07
Out17

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A mãe do GR

1º jogo oficial, de futebol 11 da época 2017/2018
Começaste a titular. Sem golos sofridos. Grande empenho. Muita concentração. Seguro e motivado.
Meu camisola 1
O jogador isolado nos festejos. E foram 3
Bom jogo da equipa com 6 golos
Que seja um época tranquila e sem lesões, para todos

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