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Socorro, sou mãe de um GR

Sou mãe de um guarda redes. Em fase de formação. Aqui pretendo ir escrevendo sobre tudo relacionado com a formação dele e a posição que abraçou.

Sou mãe de um guarda redes. Em fase de formação. Aqui pretendo ir escrevendo sobre tudo relacionado com a formação dele e a posição que abraçou.

Socorro, sou mãe de um GR

23
Abr18

ERRAR É CRESCER

A mãe do GR

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Tens 12 anos e muito para aprender, muitos erros para cometer, boas defesas para fazer.

Muitas lágrimas para secar e frustrações para digerir (espero que poucas).

Como te digo sempre "errar todos erram. Se até os profissionais erram como é que tu não há-des errar também?"

É algo que faz parte da condição humana. Verás que ao longo da tua vida vais errar e, em consequência, vais aprender que muitas vezes não há solução para algo que fizeste.

Já diz o ditado que "o que está feito, feito está".

Então a solução é levantar e seguir.

Vais aprender que quando não dá para remediar algo, o melhor é seguir em frente e aceitar as consequências, nunca esquecendo que o que para trás ficou são apenas lições para que te possas tornar melhor.

A sabedoria está em saber aceitar o que não podes remediar e fazer melhor da próxima vez.

 

 

 

 

16
Abr18

Cartão branco

A mãe do GR

 

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O árbitro é quase sempre o principal visado nas contestações por parte de pais, treinadores, dirigentes ou atletas.

Ou porque decidem mal, ou porque são rudes, muitos são os motivos que levam os intervenientes a desconsiderar o trabalho feito por estes.

Mas felizmente há excepções. E boas excepções, que deveriam ser exemplo.

O senhor árbitro que apitou o jogo deste fim de semana entre o FC Alverca e a EF Belém, de Infantis D2 é um dos bons exemplos que andam por aí.

Calmo nas decisões, afável na forma como comunicava com os atletas, atento, cuidador sempre que algum se aleijava, pedagogo na abordagem dos lances. Zero contestações. Zero vezes chamado de "palhaço" ou mandado ir a consulta de oftalmologia ou qualquer outra abordagem menos agradável.

Um exemplo para a maioria dos seus colegas que apitam jogos de formação.

 

20
Mar18

Pormenores

A mãe do GR

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"Um pormenor pode não significar nada, pode ser banal, mas também pode ser um marco decisivo numa vida singular."

Eu gosto de pormenores, tanto dos acessórios como dos fulcrais.

Gosto de esmiuçar o sentido das coisas, de as sentir.

Por vezes, perco-me no meio de tanto detalhe, torno-me subjectiva, redundante, mas é nos pormenores que encontro a beleza que liga tudo o que existe no universo.

Caso do post de hoje.

O pormenor da braçadeira.

Foi o primeiro jogo oficial com a braçadeira de capitão, no mesmo campo onde jogou o primeiro jogo oficial de competição.

Quando o vi entrar no campo com a braçadeira, automaticamente me lembrei daquele dia.Estava tão nervoso. No  balneário, o mister notou a respiração ofegante. Os olhos de temor. Até ali, nunca as luvas lhe terão "pesado" tanto como naquela manhã.

O campo que agora o "recebeu" tão mais descontraído e confiante.

 

Cada criança evolui ao seu ritmo, no seu tempo.

Não é preciso pressa.

Não são necessárias pressões.

Cada criança, enquanto atleta, tem o seu tempo para evoluir no desporto.

Tal como cada um começa a andar, a falar no seu tempo, também ao atleta tem de ser dado tempo para crescer e evoluir como tal.

Uns revelam os dotes para o desporto logo desde muito cedo. Outros precisam de tempo para desenvolver e amadurecer as capacidades que têm.

Cada criança é um individuo único que tem o seu tempo para crescer, evoluir e desenvolver as suas capacidades.

 

A fraqueza dele era o medo. O medo de errar.

Quando mostraram confiança nele, foi como pózinhos perlimpimpim* que lhe jogaram em cima.

 

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16
Mar18

Dar tempo ao tempo

A mãe do GR

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Ás vezes achamos que perguntar faz de nós mais interessados.

Que motivar é nosso papel quando achamos que, as coisas não correm como entendemos que deviam correr.

Ensinou-me a experiência que ás vezes o melhor mesmo é não perguntar, não falar, não criticar (para o bem ou para o mal).

O melhor mesmo é dar tempo ao tempo.

Deixar que tudo se alinhe.

Que tudo chegue quando tem de chegar.

Nem sempre nós pais sabemos lidar com o filho atleta.

Eu confesso que não sabia lidar com o meu.

Mostrava-me interessada demais. Atenta demais. Motivadora demais.

Estaria a pressionar?

Cheguei à conclusão que sim, pese embora nunca o tivesse feito com a convicção de estar perante um futuro Casillas ou ambicionar tal coisa.

A minha ambição sempre foi a de que fizesse o que gostava. E achava que o faria melhor se o estivesse sempre a motivar, que no fundo mais não era do que pressionar.

Muitas vezes não ambicionamos uma carreira no futebol para eles. Queremos apenas que sejam bons e se esforcem naquilo que fazem, sem termos consciência que nem todos reagem de forma positiva ao nosso excessivo interesse no desempenho deles.

Ás vezes precisamos ouvir. Ouvir quem está de fora.

E parar para reflectir sobre a nossa forma de agir.

Nem sempre agimos com intenção de pressionar. Muitas vezes é por interesse em estar presente naquilo que fazem. Mas a mim a experiência mostrou-me que, no meu caso, a melhor forma de mostrar isso era simplesmente deixar de pergunar pelos treinos, e pelos lances, e pelos golos sofridos e ... esperar para ouvir falar sobre isso.

Deixar que fosse ele a falar porque como alguém me disse um dia "o simples facto de lhe perguntar se está nervoso com o jogo do fim de semana já pode funcionar como pressão para ele".

Nesse dia parei. Reflecti. Vi que poderia estar a fazer de forma errada. Reprogramei. Até ver ... resultou

 

 

08
Mar18

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A mãe do GR

"A solidão de Iker Casillas"


Este é o título de um artigo de opinião que podem ler no MaisFutebol. 
O jornalista que o assina, Luís Pedro Ferreira, escreve algo que reflecte a posição do guarda-redes e com a qual concordo em absoluto, e passo a citar:

Nenhum homem é uma ilha, mas um guarda-redes está próximo de o ser.
É um tipo desamparado quando lhe aparece um adversário pela frente, num um para um. Um homem sem guarda-costas e que tem o chão como paraquedas.  

Quando a festa é feita pela própria equipa, ele está lá ao longe, na maioria das vezes. Distante da cerimónia, vestido numa cor diferente dos outros e tudo.

Confesso que já por diversas vezes, ao ver o meu filho minutos corridos sozinho na área pensei nisso. Na "solidão" do guarda-redes, ou o jogador solitário como eu chamo.
Até na celebração, é um solitário.
Por várias vezes captei o momento em fotos, mas acho que nenhuma delas capta a solidão do guarda-redes verdadeiramente.

 


Tantas vezes já o vi, ali, simplesmente a olhar o jogo.
Na verdade, e em bom rigor, devia dizer "a ter uma visão privilegiada do jogo" porque se alguém consegue ter uma boa percepção do jogo dentro de campo, esse alguém é o guarda-redes.






07
Mar18

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A mãe do GR

O "nosso" campo pelado

Vêm aquela linda poça de água que se aglomera à entrada da baliza?
Sempre que chove com intensidade lá está ela no "nosso" pelado. Para o bem e para o mal ela ali está. Não dá para fugir dela. Não dá para evitar cair nela se houver que fazer uma defesa. Mas não há medos ou temores na queda. Vai-se com a mesma convicção e motivação como se ela ali não estivesse.


Com o avançar dos trabalhos no Centro de Estágio e Formação, mais dia menos dia este "nosso" campo pelado deixará de receber treinos e jogos. Com toda a certeza na próxima época.
E apesar de estarem todos rejubilados com novos campos sintéticos, sem lamas, sem pó, sem pedras acho que todos os que aqui jogaram, de alguma forma irão sentir algum saudosismo na hora de se despedirem deste "nosso" campo pelado.
Fomos muito felizes aqui. Também tivemos as nossas tristezas e desilusões. E todos esses momentos serão para recordar.
No dia que o "nosso" campo pelado sentir os últimos toques de pitons, a última celebração de golo, o último splash do guarda-redes será o fecho de um ciclo e o início de outro, que se espera feliz e próspero, de um clube que já foi grande, por estar na divisão principal do futebol, mas que com muito acreditar e convicção e muito amor à camisola aos poucos vai-se reerguendo, à sua medida, ao seu ritmo, à sua maneira.
Dentro de si próprio o Futebol Clube Alverca nunca deixou de ser grande.  
23
Fev18

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A mãe do GR


Partilho convosco o texto que escrevi para o Futebol de Formação que podem ler aqui sobre o percurso do DP1 desde que foi, e digo isto de forma carinhosa, "empurrado" para a baliza até ao dia que me disse "mãe eu gosto de ser guarda-redes".
Sinto que ser guarda-redes foi um gosto que ele deixou que crescesse e se desenvolvesse dentro dele. Chego a pensar que foi um gosto que se desenvolveu como se desenvolve dentro de nós o amor por algo ou alguém.
Agora só espero que disfrute deste gosto com a mesma motivação com que hoje a vives.
19
Fev18

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A mãe do GR

Comportamentos que muito deixam a desejar


Sempre que se fala de futebol de formação ou futebol juvenil, são constantes as alusões a comportamentos menos próprios, maioritariamente vindos dos pais.

São destes que, muitas vezes, partem comportamentos ou atitudes que muito deixam a desejar. Os largos casos que vêm a público são muitas vezes protagonizados por pais cuja presença em jogo é muitas vezes de tudo menos de apoio.

No entanto, ao longo destes anos que acompanho o meu filho no futebol de competição muitas vezes deparo-me com atitudes menos próprias vindas de arbitrários e de treinadores ou adjuntos.

O último jogo teve como protagonistas árbitros e um elemento do banco da equipa adversária.

Estava a ser um jogo bem disputado. A equipa da casa começou a ganhar cedo. Surgiu o empate e minutos depois um golo que colocou a equipa visitante na frente do resultado. Uma primeira parte sem incidentes. Um jogo bem disputado.

Já a segunda parte, foi tudo menos tranquila.
Entendo que a equipa da casa tivesse a ambição de no seu campo conseguir a vitória e os 3 pontos. Mas deve saber-se que, no futebol querer nem sempre é poder.
E eis que de um lance entre atletas, em que um deles dá uma cotovelada na boca do outro tudo muda em campo.
A exibição da equipa de arbitragem, até ali sem nada a dizer, tem o seu ponto de viragem quando na sequência desse lance o jogador da casa diz que foi mordido pelo adversário.
À equipa de arbitragem pede-se que seja comedida nos comentários e expressiva na acção disciplinar (se for caso disso) e formadora dos jovens atletas.
A partir do momento que um árbitro diz para o outro, em pleno terreno de jogo, que há um "Suarez 2" em campo, ao ponto de afectar um jovem atleta com tal descrição, a vertente formadora e pedagógica perde-se.
Quando um atleta entende que com aquela actuação o juiz do jogo o está a apelidar de cão, a vertente pedagógica esfuma-se.
Não se pede que o arbitro seja fofinho, ou que tolere faltas de respeito para com os demais intervenientes do jogo. Pede-se que seja assertivo, educador se for preciso, que seja visto como aquele que toma as decisões do jogo e que deve ser respeitado. Não se pede perfeição quando ajuíza lances mas pede-se honestidade intelectual na decisão dos mesmos e na forma como trata os jovens atletas em campo. Pede-se que seja disciplinador se assim tiver de ser, mas não se tolera que seja o primeiro a desrespeitar quando exige respeito para si.

Escusado será dizer que em campo o jogo tornou-se intenso e demasiado duro. De certa forma, mais disputado. Mas um jogo disputado nem sempre o é da melhor maneira e muitas vezes caí-se na intolerância e até no desrespeito.
E querer vencer não pode jamais toldar o espírito de quem está no banco. Perder nem sempre, jamais até, significa desrespeitar o adversário, ainda mais quando o adversário é uma equipa de jovens com 12/13 anos.
E desrespeitar o adversário é não lhe dar o mérito da vitória. Pior que isso é ofendê-lo.
Quando um massagista de uma equipa, após lance que dá o 4º golo à equipa visitante, se refere a estes chamando-os de "merdosos do car***o", em alto e bom som, ao pé dos seus jogadores e de pais da equipa adversária facilmente percebemos que há pessoas que ocupam cargos em equipas juvenis para os quais não têm a mínima apetência ou formação.
Quando se ouve essa mesma pessoa dizer aos seus jovens jogadores que só cumprimentam os seus pais, concluímos que algo vai muito mal na esfera dos pequenos clubes de futebol de formação.
Perder não significa que foste mau. Que não deste o teu melhor. Perder significa que apesar de todo  teu esforço houve alguém que se esforçou mais que tu, que fez acontecer, que lutou, que se superou, que foi mais eficaz. Perder jamais te deve toldar o bom senso e que te fazer esquecer o motivo pelo qual estás a trabalhar com jovens. O teu papel é formar atletas, mas acima de tudo formar homens com capacidade para enfrentar as coisas boas e as más da vida, para saberem lidar não só com as vitórias mas acima de tudo com as derrotas.

Não posso por isso deixar de enaltecer, sim enaltecer, o grande carisma desta equipa. Sim têm muito carisma. Têm muito carisma porque ficam felizes na vitória. Basta ver aquelas expressões, de sorriso muitas vezes rasgado, uma vaidade saudável que não dá para disfarçar porque chegaram ao final e conseguiram um bom resultado.
Mas ficam tristes na derrota. Muitos choram e vê-se a frustração naqueles rostos porque apesar do esforço e dedicação, outros foram mais eficazes. Mas nunca deixam de cumprimentar o adversário, ou os pais que em todos os jogos os esperam para dar "mais cinco" e uma palavra de conforto, e que não param quando acaba a fila de pais, de pais deles. Há sempre um "mais cinco" para quem ali estiver pronto a recebê-lo.
E no passado sábado foi assim. Houve "mais cinco" até onde houvessem pais que lhos quisessem dar. Já do outro lado, vi meninos que pareciam hesitantes, sem saber o que fazer no momento de ir cumprimentar os pais porque pareciam que tentavam perceber onde estavam os seus.

Alguns intervenientes no futebol infantil e de formação têm ainda um logo percurso para percorrer no que toca a formação e a pedagogia.


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